A história do Eu Sou em quatro momentos: descobrir, crescer, repensar e recomeçar
De uma página em HTML a um portal renovado, o Eu Sou atravessou diferentes épocas da internet. Ao longo deste percurso, mudou de ferramentas, acompanhou novos hábitos e enfrentou dúvidas sobre o seu futuro. Mas uma ideia permaneceu: reunir, num só lugar, links que vale a pena conhecer.
A história do Eu Sou começa em 1998, com uma pergunta: «Se eu fosse jornalista, economista ou médico, o que gostaria de ter à minha frente no ecrã para começar a trabalhar?» Era uma forma de olhar para a internet a partir das necessidades de cada pessoa e de transformar uma coleção de endereços numa ferramenta útil.
Desde então, o projeto passou por quatro grandes momentos. Cada um reflete uma fase do Eu Sou, mas também uma mudança na forma como todos nós utilizamos a internet.
1. O início: uma página para começar a explorar
No final dos anos 90, a internet era mais pequena e a descoberta de sites fazia-se, em boa parte, através de diretórios, listas temáticas e recomendações. Guardar um bom endereço tinha valor: era menos uma pesquisa a fazer e mais um caminho conhecido para chegar à informação.
O primeiro Eu Sou nasceu nesse contexto. As páginas eram construídas em HTML, organizadas em tabelas e preenchidas com links e pequenos serviços úteis. A ideia era ter à mão aquilo de que um profissional poderia precisar, sem ter de percorrer vários sites para começar o seu dia.
A página «Eu Sou Jornalista» mostra bem esse espírito. Reunia jornais portugueses e estrangeiros, rádios, televisões, agências de notícias, contactos e sites de referência. Incluía também caixas de pesquisa, acesso a serviços de correio eletrónico, fóruns, listas de discussão e outros recursos que hoje ajudam a reconhecer aquela época da internet.
Era uma página densa, feita para ser usada. Cada ligação e cada pequeno bloco procuravam responder a uma necessidade concreta. O Eu Sou queria ser isso mesmo: um ponto de partida.
2. O crescimento: uma gestão à medida e a fase de ouro
Em 2004, o Eu Sou ganhou um sistema de gestão desenvolvido à medida. A colocação e a organização de links tornaram-se mais simples, reduzindo o trabalho de editar manualmente as páginas e permitindo dedicar mais atenção aos conteúdos.
A internet crescia, surgiam novos sites e havia cada vez mais recursos para descobrir. O Google ganhava um lugar central nos hábitos de pesquisa, enquanto o Eu Sou continuava a oferecer uma seleção organizada por profissões e interesses.
Foi a fase de ouro do projeto. A facilidade de acrescentar conteúdos ajudou a alargar e a enriquecer o portal. Uma pesquisa podia levar a muitos resultados; uma página do Eu Sou procurava reunir os endereços que faziam sentido para uma determinada atividade.
O sistema à medida deu suporte a esse crescimento. Permitiu que a ideia original ganhasse dimensão, mantendo a proximidade entre a descoberta de um recurso e a sua disponibilização aos visitantes.
3. O WordPress: uma gestão mais simples, num tempo de dúvidas
Em 2015, o Eu Sou passou para WordPress. A mudança tinha uma razão prática: facilitar a gestão do site sem depender de um programador dedicado para a manutenção corrente. Uma plataforma mais acessível permitia continuar a trabalhar nos conteúdos com maior autonomia.
Mas simplificar a gestão não resolvia todas as questões. Na época das redes sociais, os hábitos de navegação tinham mudado. Muitas pessoas passaram a descobrir conteúdos através das suas redes e dos motores de pesquisa, e os diretórios deixaram de ocupar o lugar que tinham tido nos primeiros anos da internet.
O Eu Sou entrou num período de estagnação. O número de páginas foi reduzido e surgiram dúvidas sobre a continuidade do projeto. Que papel poderia ter um portal de links numa internet onde tudo parecia estar à distância de uma pesquisa?
Ao mesmo tempo, essa facilidade aparente trazia um problema cada vez mais evidente: havia muita informação, mas nem sempre era fácil encontrar qualidade. Entre conteúdos repetidos, páginas de pouco valor, publicidade e desinformação, escolher uma boa fonte continuava a exigir tempo e atenção. A necessidade que tinha dado origem ao Eu Sou permanecia — era preciso encontrar uma nova forma de lhe responder.
4. O novo capítulo: voltar a escolher o que vale a pena
A nova fase do Eu Sou nasce dessa reflexão. Numa internet tão vasta, reunir links úteis e interessantes volta a fazer sentido. O desafio é dar ao projeto as ferramentas necessárias para descobrir, organizar e acompanhar esses recursos.
O portal volta a contar com um sistema de gestão personalizado, pensado para facilitar o percurso entre a pesquisa e a publicação. Novas ferramentas de apoio à descoberta ajudam a identificar sites relevantes e a organizar os conteúdos por profissão e por tema.
Para quem visita o Eu Sou, o que importa é o resultado: encontrar uma seleção que poupe tempo, apresente recursos interessantes e ajude a chegar a sites que mereçam uma visita. É aí que queremos concentrar o trabalho desta nova etapa.
O futuro do projeto passa por continuar a melhorar essa seleção e por ouvir quem a utiliza. Novas áreas, sugestões de links e contributos dos visitantes fazem parte de um Eu Sou que se quer útil e em evolução.
Vinte e oito anos depois, regressamos à pergunta que esteve na origem de tudo: o que gostaria de ter à minha frente no ecrã para começar? A internet é outra. A vontade de encontrar bons caminhos continua a mesma.